Na década de trinta começaram a aparecer nos
EUA os primeiros moto clubes com tendências mais rígidas.
Nesta época eram produzidas mais de 200 marcas de
motocicletas, mas o mercado consolidou apenas três: Harley
Davidson, Indian e Excelsior, que respondiam por 90% das vendas da época.
Veio a grande depressão devastando a indústria e apenas
a Harley Davidson conseguiu sobreviver, apesar de a Indian
ter se mantido até 1953 e ter retornado ao mercado na década
de 90.
A
SEGUNDA GUERRA MUNDIAL
Neste ponto, a história como conhecíamos.
Com o
fim da Segunda Guerra Mundial, muitos membros das forças
armadas americanas foram desmobilizados e não conseguiram
se readaptar à vida da sociedade "normal". Era
deprimente para eles, a rotina de trabalho, família,
hipotecas, faculdades e etc. Acostumados com a adrenalina,
depois de tanto tempo vivendo no limite e ao mesmo tempo
querendo desfrutar ao máximo a liberdade e o próprio
fato de estarem vivos de volta ao seu país, aos poucos
foram se reunindo e encontraram na motocicleta o meio para
satisfazer seu estilo de vida ideal. As motocicletas
estavam baratas, vendidas como excesso de material nos
leilões militares. Logo esses indivíduos passaram a
compartilhar os fins de semana, mas aos poucos quando
chegava a segunda-feira, nem todos iam para casa,
transformando o clube de motocicletas do fim de semana em
uma família em tempo integral.
Na Califórnia, os veteranos formaram centenas de pequenos moto
clubes como: Pissed
of Bastards, Jackrabbits, 13
Rebels e os Yellow
Jackets. Os seus membros usavam suéteres do clube e
rodavam juntos nos fins de semana. Lentamente formalizaram
os escudos e as cores que passaram a defender com sua
honra, adaptando a hierarquia militar em uma estrutura de
irmandade, subliminada sob os cargos eletivos das associações.
Alguns clubes pré-existentes se readaptaram facilmente a
esta nova filosofia, outros simplesmente desapareceram, o
que não aconteceria no Brasil. Os clubes brasileiros não
se adaptaram, continuando como associações ou
se extinguindo.
A AMA logo percebeu que a guerra havia exposto muitos
americanos às motocicletas e que os veteranos voltaram
com experiências fantásticas em cima das Harley
Davidson WA45, experiências estas, que eles fariam de tudo
para continuar vivenciando. Ansiosa em manter estes novos
motociclistas, a AMA passou a organizar competições, viagens e
gincanas com um entusiasmo renovado. Entretanto a guerra não
foi o exercício mais saudável para a mente dos que
combateram no front e, estes novos motociclistas,
farreavam muito mais que os motociclistas tradicionais.
Sua rotina se resumia quase sempre a festas, disputas,
bebedeiras e, inevitavelmente, as brigas. A população
tolerava esses excessos porque os motociclistas tinham a
seu favor o fato de terem defendido seu país na guerra,
apesar de tudo isso estar sendo financiado pelas pensões
do governo, o que posteriormente pesaria contra os
veteranos quando, saindo da depressão, a América tentava
otimizar seus custos com o apelo do apoio da população.
A
INFLUÊNCIA DA MÍDIA
Foi em Hollister,
Califórnia, que o mito da marginalidade se concretizou. Um
fim de semana negro era o que faltava ao puritanismo
americano e à mídia sensacionalista para taxar os
motociclistas de foras da
lei e os moto clubes, leia-se Boozefighter
Motorcycle Club,
de gangues. Neste período a polícia e os comerciantes
criaram uma serie de alternativas nos locais onde eram
realizados os encontros para contornar esta aclamada
rebeldia, tais como fechar duas horas mais cedo e até
deixar de servir cerveja. Os jornais estampavam manchetes
sensacionalistas como "Revoltas...
motociclistas assumem cidade"
e "Motociclistas
destroem Hollister".
Até a Revista
Life
estampou uma fotografia de página inteira de um
motociclista
em uma Harley
, com uma cerveja em cada mão. A AMA
se viu diante de um pesadelo e denunciou o Boozefighter
Motorcycle Club,
culpando-os pelos incidentes e tentando mostrar a
sociedade que todos os motociclistas não poderiam ser
culpados pelo vandalismo de um único moto clube.
Com o passar do tempo, ficou cada vez mais difícil
separar os mitos da realidade. Quando Hollywood dramatizou o fim de semana de Hollister no filme de 1954 "The
Wild One" com
Marlon
Brando, qualquer esperança de salvar a imagem dos
motociclistas estava perdida. Os críticos pareciam
incapazes de passar a idéia de que era puramente um filme
sobre violência. Na realidade, há muito pouca violência
pública no filme "The
Wild One", se comparado a muitos filmes de guerra da mesma
época. O que parece ter perturbado os críticos era o
fato de que a violência das jaquetas de couro estava de mãos
dadas com a sexualidade, contra a autoridade do
puritanismo da época.
Somente decorridos cinco meses dos acontecimentos
de Hollister,
foi
que algumas cidades concordaram em permitir que a AMA promovesse novamente um encontro de
motociclistas e, ao contrário do que os puritanos e a
policia esperavam, tudo aconteceu em paz e os comerciantes
locais abriram suas portas para receber os motociclistas.
Mas a mídia sensacionalista e principalmente a revista Best ainda insistiam em mostrar os motociclistas como
bêbados ou sociopatas.
O que Hollywood conseguiu, foi incentivar verdadeiros predadores
a criarem moto clubes e constituir verdadeiras gangues, o
que fez da década
de 50, uma página negra na história do motociclismo e
do motoclubismo.
Nasce nesta época também a rivalidade entre alguns
clubes e o senso de território.
As motos eram em sua grande maioria HD's e passaram a ser despojadas de tudo que não
fosse essencial: velocímetro, lanternas, espelhos e banco
de carona. Com isso ficavam mais leves e ágeis. Esse
estilo de moto ficou conhecido como Bobber, que mais tarde deu origem às chopper, que eram as Bobber modificadas para viagens: com frente alongada,
banco com encosto e santoantonio.
A moto passou a ter grande importância como
sendo um complemento da personalidade de seu dono, e como
as modificações eram sempre feitas pelos próprios
motociclistas, não havia assim duas motos iguais.
DE
1950 ATÉ HOJE
A década de 50 também ficou marcada como a década
de expansão dos moto clubes americanos para outros países.
A década
de 60 foi fantástica para o movimento motociclistico.
As motocicletas voltaram a ser tema de Hollywood, Elvis
Presley com o filme Roustabout e Steve
McQueen com A
Grande Fuga, alavancaram uma série de filmes sobre o tema
que chegou ao seu auge com Easy
Rider. Finalmente vislumbra-se uma mudança na imagem
do motociclista com o início da fase romântica do
motociclismo, que perdurou até o final da década
de 70. Este período fixou o motociclista como ícone
de liberdade e resistência para o sistema. Segundo as
pesquisas, em 1969, nasce no Rio
de Janeiro, o primeiro moto clube brasileiro que seguia a
nova estrutura de hierarquia e irmandade dos moto clubes
internacionais, o Balaios
Moto Clube.
O
Vigilante Rodoviário,
série produzida pela TV
Tupi
entre 1961
e 1962,
alimentava a imaginação aventureira de jovens e adultos.
A década de 70
viu a disseminação dos moto clubes pelo mundo, alguns se
mantiveram fieis às Harley
Davidson
e,
outros, se adaptaram a outras motos já que, nesta década,
as motos
japonesas
começaram a dominar o mercado mundial. A instalação de
montadoras japonesas aqui pelas bandas Tupiniquins e a lei
que limitava a importação de motos tornou muitos
motociclistas e os poucos moto clubes existentes,
verdadeiros heróis, que padeciam sob um retardo de quase
60 anos
na história do motociclismo mundial.
A partir
do final
da década de 60,
iniciou-se o movimento de moto clubes dentro destas novas
normas de conduta e irmandade. Os 60
anos de atraso
foram diluídos pelas décadas
de 70
e 80.
Vivenciamos então a fase romântica de encontros onde, o
único prazer, era viajar para estar com os amigos ao lado
de uma fogueira falando sobre motos, viagens e outras
coisas.
Apesar de tudo, passamos também por outras
fases, que culminaram com a popularização
do estilo no Brasil a partir de 1996, quando inúmeros moto clubes foram criados.
Neste período, outra série de filmes como: A
sombra de um disfarce e A
vingança do justiceiro insistia em denegrir a imagem do motociclista.
Muitos fatores levaram a esta popularização: O
crescente aparecimento de moto clubes na mídia
especializada ou não, desfazia aquela aura de mistério e
medo. Com a liberação da importação e as fábricas
japonesas pagando royalties a Harley
Davidson para copiar seu desenho, a equiparação do dólar
ao Real, a abertura de lojas da HD no Brasil, os políticos visando um colégio
eleitoral leal e as prefeituras locais buscando ampliar o
turismo em suas cidades.
Comercialmente falando, sangue sugas passaram a
criar milhares de eventos por ano, que mais parecem festas
juninas do que um encontro motociclistico, com o único
intuito de ganhar dinheiro no rastro desta popularidade.
Isto fez com que a maioria dos moto
clubes autênticos, raramente sejam vistos em eventos, passando a
organizar cada vez mais viagens exclusivas.
Apesar de tudo, o espírito motociclistico ainda
sobrevive no pensamento e na atitude daqueles que
compreendem e respeitam seus valores e sua essência.
DOCUMENTÁRIO
Há um tempo, o canal a cabo The
History Chanel, passava um programa chamado “Automaníaco” onde, em um de seus capítulos, veiculou um documentário
chamado "MOTOS
DO INFERNO", onde são mostradas as origens e o nascimento dos
primeiros grupos com matérias sobre os Jackpine
Gypsies Motorcycle Club, Boozefighter
Motorcycle Club e HELLS
ANGELS além
de outras matérias sobre motociclismo. Se você tem banda
larga, procure e baixe Las
motos del infierno - (Maravillas Modernas.avi) narrado em castelhano mas perfeitamente “entendível” e
é imperdível.
FINALIZANDO
Com esta pesquisa, nós procuramos encontrar
como, quando e onde iniciou o motoclubismo no mundo. Pelo
que foi relatado, podemos concluir que os ex-recrutas
americanos que combateram na 2ª guerra e voltaram para a
pátria amada adquirindo motocicletas para manter a
adrenalina, etc, etc, etc, com muita certeza, tiveram a
sua participação na história dos moto clubes mas,
agora com toda a certeza, o motoclubismo não começou com
eles.
O texto original: Palco
/ Carlão (CORVOS MOTO CLUBE)
Enviaram textos, pesquisas, sugestões e
incentivos para esta matéria os seguintes amigos virtuais ou não:
Marcos
de Oliveira Jr (Grupo CUSP)
caRIOca
(Grupo CUSP).
Roberto
Mesquita (Grupo CBBRASIL / Grupo CBCHOPPER)
Edson
/ RS (TRIBOS – Grupo CBCHOPPER)
Roberto
Messias (Grupo CBCHOPPER)
Mario
César (Grupo CBCHOPPER)
Marçola
(Grupo TRICICLOTRIKEBR)
Adaptações
de texto e pesquisas: BUDA
É
PERMITIDA A CÓPIA DESTE CONTEÚDO NO TODO OU EM PARTE !!!
Um
BUDA abraço.